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Fortes dores que começaram na região lombar foram os sintomas iniciais para que a atriz Fran Freduzeski começasse a desconfiar de que algo suspeito estava ocorrendo em seu organismo. E ela estava certa.
Em relato compartilhado no Instagram, Fran contou ter descoberto, recentemente, uma doença bem séria que acomete seu sistema reprodutivo.
Doença de Franciely Freduzeski
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Conforme contou ao longo de um texto publicado no Instagram, Fran foi diagnosticada com endometriose, sendo o caso da atriz a do tipo profunda.
A descoberta da doença, segundo a atriz, começou com uma dor intensa na região lombar que, posteriormente, estendeu-se para o quadril e para a perna direita. “Uma queimação, dor, formigamentos que eu não sabia mais o que fazer.”
As dores incomodaram Fran por meses e chegaram a impactar a vida da artista em atividades cotidianas, como idas à academia, atividades de lazer, no trabalho e em sua vida social.
“Tudo parou até que eu fiquei de cama, tomando corticoide, remédios e mais remédios, saía de casa sempre com no mínimo uns três remédios diferentes para tentar ir tocando a vida”, relatou, acrescentando que, posteriormente, ficou com nervo ciático, bexiga e intestino comprometidos
Endometriose

As dores intensas que Fran sentiu são apenas um dos sintomas possíveis da endometriose, que ainda pode se manifestar por meio de cólicas frequentes e intensas durante a menstruação, dores abdominais, independentemente de estar no período menstrual, dificuldade para engravidar, intestino preso, solto ou dor para evacuar durante a menstruação, dores durante a relação sexual e desconforto/sangramento ao urinar na época da menstruação.
A endometriose trata-se de uma doença que atinge mais de 6 milhões de brasileiras, de acordo com a Associação Brasileira de Endometriose (SBE), e é caracterizada pela presença do endométrio (uma camada que reveste o útero com a função de acolher o embrião em caso de gravidez) em outros órgãos que não o útero, onde deveria ficar.
Quando a gestação não ocorre, o endométrio se descama e é expelido do corpo pela menstruação. Já em casos da doença, essa camada se instala em outras partes do corpo, como a cavidade abdominal, os ovários e o intestino.
“Pode atingir cérebro, músculo, osso, entre outros órgãos”, complementa o ginecologista Marco Aurelio Pinho de Oliveira, chefe do ambulatório de Endometriose do Hospital Universitário Pedro Ernesto, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
É possível separar a endometriose em dois tipos: superficial e profunda. A primeira é menos agressiva e penetra menos que 5 milímetros da superfície do tecido. Já a profunda é caracterizada por lesões maiores do que essa medida e é a que se alastra por diversas partes do corpo.
Diagnóstico: exame de rotina não é suficiente

No relato de Fran, chama atenção o fato de a atriz ser uma pessoa bem atenta à saúde, procurando fazer visitas ao ginecologista, ao menos, a cada seis meses. “Até porque uso implante hormonal e achei que esse era um tratamento que resolveria minha vida para esse tipo de doença”, disse no relato.
Além disso, a atriz conta ter procurado médicos de inúmeras especialidades para descobrir a causa de suas fortes dores, mas nenhum deles foi capaz de ajudá-la.
“Foram quase 8 meses de dor e eu eu não tinha ideia de que seria endometriose o meu problema. (…) Falei da minha dor [ao ginecologista] e nada. Fui ao ortopedista, osteopata, neurologista, falei com diversos médicos, fiz ressonância de tudo, até da cabeça. Raio X do corpo todo. Nada. Achei que estava com câncer, reumatismo, artrite, lúpus, todo tipo de doença de articulação, herpes nos ossos, fiz todos os exames de sangue e nada.”

De fato, a endometriose é uma doença difícil de ser detectada e nem sempre os exames de rotina conseguem detectá-la com precisão.
No caso de Fran, o diagnóstico veio após seu psiquiatra indicar a clínica de um ginecologista especializado em endometriose profunda, que realizou um exame de toque e imediatamente identificou o nervo inflamado. Exames específicos posteriores confirmaram a suspeita.
“É extremamente importante você ter um ginecologista que entenda de endometriose, não faça só exames de rotina”, aconselha a atriz.
Exames de sangue, de imagem e físicos podem pré-determinar o alastramento do endométrio para além do útero, mas o diagnóstico certeiro só é possível por meio de uma biópsia.
“A biópsia feita pela videolaparoscopia é a melhor maneira de determinar a existência do problema”, afirma o ginecologista e obstetra Arlindo Brun.
Tratamento para endometriose

A endometriose não tem cura. Entretanto, se diagnosticada precocemente e com o tratamento correto, os sintomas são amenizados e a qualidade de vida da mulher melhora muito, sendo possível engravidar e viver sem dor.
Hoje em dia, o tratamento para a doença consiste na administração de anti-inflamatórios e analgésicos que ajudam a diminuir a intensidade dos sintomas da enfermidade. Também é comum o uso de hormônios, DIU e pílulas para este propósito – especialmente para interromper o ciclo menstrual.
Outra opção é a cirurgia para a retirada de focos do endométrio fora do útero. Este recurso é usado principalmente em mulheres que apresentam lesões muito extensas ou que não melhoraram com o uso de medicamentos/hormônios.
Fran contou ter realizado uma cirurgia como parte do tratamento para a doença e atualmente se encontra no processo de recuperação do procedimento – tanto que mostrou sua barriga levemente inchada devido à cirurgia.
Retirar o útero é o recurso mais extremo para o tratamento de endometriose. Ainda assim, a intervenção ocorre em casos mais graves e quando a mulher não deseja mais engravidar.
Vale lembrar também que o procedimento não é garantia de que a doença pare de progredir, já que o estrogênio é causa de sua continuidade e o hormônio é produzido pelos ovários.
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