Conteúdos na internet sugerem que ter colesterol alto é benéfico, mas aumenta o risco para doenças cardiovasculares
Impulsionados por dietas da moda que privilegiam o consumo de alimentos ricos em gordura saturada, conteúdos que circulam nas redes sociais sugerem que manter níveis de colesterol altos fazem bem para a saúde. Mas além de incorreta, essa interpretação é perigosa, afirma o cardiologista Victor Arrais, assessor científico da Sociedade de Cardiologia de São Paulo.
“Colesterol alto não é benéfico”, alerta o especialista. A condição aumenta o risco para doenças cardiovasculares, principal causa de mortes no Brasil.
Confusão sobre colesterol

O médico explica que os termos usados para falar sobre o assunto podem levar a conclusões equivocadas.
“O colesterol em si é uma molécula essencial para o organismo, sendo parte da estrutura das membranas das células, precursor de hormônios, além de ter outras funções.”
Mas uma lipoproteína conhecida como LDL, uma das responsáveis por carregar o colesterol no organismo, também está associada ao processo de formação de placas de gordura nas paredes dos vasos sanguíneos e ao aumento do risco de infarto, AVC e de outras doenças cardiovasculares.
Quando os médicos falam sobre controle do colesterol ou citam o “colesterol ruim”, muitas vezes estão se referindo ao LDL, só que de uma forma simplificada.
“A evidência científica por trás da redução de LDL com intuito de reduzir risco cardiovascular é uma das mais vastas na literatura médica”, afirma Victor.
Vale dizer que os níveis ideais de colesterol variam conforme o risco cardiovascular individual.
Risco em pessoas com níveis normais

O cardiologista alerta para outra interpretação errada que por vezes é usada como fonte para informações falsas: a ocorrência de infarto e AVC em pessoas com “colesterol normal”.
“A grande questão aqui é que a aterosclerose (acúmulo de placas nas paredes das artérias) é uma doença que depende de vários genes e é multifatorial. Não depende, portanto, somente do colesterol.”
Além disso, pessoas com condições como obesidade e diabetes podem ter um tipo de LDL mais agressivo e mais propenso a formar placas de gordura. Nesses casos, há risco aumentado mesmo com valores mais baixos de LDL.









