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Nomofobia: entenda os sintomas de quando a dependência do celular vira distúrbio

Falta do celular pode, em alguns casos, desencadear desconforto, ansiedade e até medo
Publicado 19 Ago 2022 – 01:48 PM EDT | Atualizado 19 Ago 2022 – 01:48 PM EDT
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Uso do telefone celular Crédito: oatawa/Istock

Cabeça baixa, dedos inquietos e olhos grudados na tela: é assim que grande parte das pessoas passa o dia, verificando mensagens, jogando, vendo séries ou simplesmente se distraindo com o celular nas mãos. O que nem todo mundo se dá conta, no entanto, é que o uso excessivo do aparelho pode resultar em dependência, gerando um quadro que os especialistas têm chamado de nomofobia.

Nomofobia, o vício em estar conectado


Nomofobia é um termo novo que indica um sentimento intenso de desconforto, ansiedade e medo desencadeado pela falta do celular. A condição, segundo a psiquiatra Maria Francisca Mauro, da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), ainda não é reconhecida formalmente pelos manuais de diagnóstico, mas tem preocupado os profissionais de saúde em todo o mundo.

“Dentro dos critérios de avaliação psiquiátrica, ainda não temos uma classificação que configure o vício. Em pesquisas, avaliações e evidências o termo mais utilizado é o ‘uso problemático do celular’”, explica a psiquiatra, descrevendo a nomofobia e o que ela causa nos indivíduos.


De acordo com a especialista, o que se sabe é que as pessoas que sofrem da condição têm no uso do aparelho uma forma de manejar algumas emoções, seja para se sentirem menos entediadas e sozinhas, ou pela sensação de que, através de interações nas redes, elas estão bem colocadas socialmente. É um sentimento de pertencimento.

Sintomas vício em celular


Em um mundo no qual praticamente todos usam o celular inclusive para trabalhar, como é possível identificar se o uso está exagerado? De acordo com a psiquiatra, é preciso definir, em primeiro lugar, se a pessoa fica ansiosa ou sente desconforto quando não checa o aparelho o tempo todo, ou permanece alerta na expectativa de ver notificações chegando.


Além disso, diferentes estudos já ligaram esse excesso de uso do smartphone à maior incidência de casos de depressão, ansiedade e estresse crônico - e, segundo a psiquiatra, é importante identificar estes problemas para melhorar a rotina e o bem-estar dos pacientes.

“Para além de apontar o uso do celular com consequências maléficas para saúde mental das pessoas, se faz necessário elas poderem conseguir ter mais conhecimento do uso da tecnologia e sua interferência em suas rotinas de trabalho, convivência com a família e amigos”, comenta Maria Francisca.

Como amenizar o problema


Tentar diminuir a utilização do celular é a principal medida para evitar uma possível dependência. É preciso analisar quantas horas por dia são gastas com o consumo de conteúdo pelo aparelho, ponderando se este tempo está bem distribuído em trabalho ou lazer ou está suprindo uma necessidade emocional.


É preciso entender que o smartphone não é uma companhia, e que seu uso não dispensa a prática de outras atividades, aconselha a psiquiatra, ressaltando que o celular não pode ser usado como um artifício de fuga de uma rotina com relações interpessoais.

"Outro ponto importante é observar o que você tem feito com o seu relacionamento interpessoal para que ele não seja ultrapassado por alguma interação via jogos, consumo de mídias sociais e outro elementos que acabam por retirar o diálogo, a conversa e as relações mais profundas”, conclui a especialista.

Nestes casos, pode ser interessante buscar a psicoterapia ou a prática de atividades de que geram prazer, caso o indivíduo perceba satisfação em realizá-las.

Saúde e bem-estar

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