Noites em claro > Hora de dormir

É a duração do problema que costuma diagnosticar suas origens. Afinal, todo mundo já teve suas noites em claro, fosse por um fuso horário trocado, fosse por um amor não correspondido. “A insônia pode ser aguda ou crônica, quando se estende por mais de um mês”, comenta a Dra. Dalva. A falta de sono duradoura pode ser do tipo primária, causada por disfunções internas como aumento de temperatura e alterações metabólicas, ou secundária, que envolve distúrbios psiquiátricos e uso de substâncias como drogas e medicamentos. “A insônia crônica denuncia um problema de saúde. É preciso procurar um médico especializado”, comenta a Dra. Anamélia.

No entanto, facilitar a boa chegada de Morfeu com pequenas medidas e hábitos podem fazer a diferença ao despertar descansada e com disposição. “Uns 40 minutos de exercícios físicos regulares todos os dias, de preferência que façam suar, são muito bons. Mas é fundamental terminar a atividade pelo menos seis horas antes de dormir. Outra coisa importante é evitar o consumo de bebidas como chá preto, chocolate, refrigerantes de cola, guaraná e energéticos, que contêm cafeína. O álcool também deve ser reduzido ao mínimo porque ele fragmenta o sono”, recomenda a Dra. Dalva. Um banho morno bem relaxante também ajuda muito. “É bom porque aumenta a temperatura corporal, já dá aquele molinho”, acrescenta Anamélia Costa Faria.

Usar deliberadamente indutores de sono é fatalmente se entregar à dependência química e psicológica

Olhos abertos

Nos casos crônicos e graves de insônia, o tratamento é focado nas causas. Nos tipos secundários, o uso de medicamentos indutores de sono pode ser útil nos primeiros momentos. “O uso dessas substâncias é coisa muito séria. Fazê-lo deliberadamente é fatalmente se entregar à dependência química e psicológica, o que vai trazer conseqüências graves à saúde da pessoa”, alerta o psicofarmacologista Eduardo Campana. É nas terapias comportamentais, a partir do controle de estímulos e técnicas de relaxamento que está a chave do tratamento, sobretudo nos casos de origem psicológica.

Já o tratamento da insônia crônica do tipo primário é ministrado pelo médico especializado no problema originário. No caso da apnéia, por exemplo, a causa orgânica mais comum das dificuldades do sono, pode ser necessário o uso de um aparelho que impossibilita o fechamento das vias respiratórias. “Primeiro, é feita uma polissonografia, em que o paciente passa uma noite no laboratório com vários parâmetros fisiológicos sendo medidos. O tratamento da apnéia depende do tipo e da gravidade e pode envolver até programas de perda de peso. Nos casos mais delicados, usamos o Cepap, que é um gerador de fluxo de ar, ligado à tomada e que, por uma máscara nasal, abre as vias aéreas”, explica a Dra. Anamélia.