Como identificar alimentos ultraprocessados e por que evitá-los

Como identificar alimentos ultraprocessados e por que evitá-los

Olhar a lista de ingredientes é a melhor forma de descobrir se o alimento passou por muitas etapas de processamento

Muito se fala sobre a importância de evitarmos alimentos ultraprocessados no dia a dia, mas nem todo mundo sabe como identificá-los – até porque há muitos ultraprocessados vendidos como alimentos saudáveis.

De forma geral, os ultraprocessados são alimentos produzidos pela indústria com diferentes etapas e técnicas de processamento, além de muitos ingredientes, incluindo alguns de uso exclusivamente industrial. Isso faz com que eles sejam nutricionalmente desbalanceados e favoreçam o consumo excessivo de calorias.

O que é ultraprocessado

Alimentos que são ultraprocessados
(Crédito: bearfotos/ Freepik)

Naturalmente, os alimentos são obtidos diretamente de plantas ou de animais, mas eles podem passar por diferentes etapas de processamento até que eles sejam consumidos.

Há processamentos simples e semelhantes a técnicas culinárias: limpeza, remoção de partes não comestíveis, secagem, resfriamento ou congelamento, embalagem, pasteurização ou moagem, por exemplo.

Por outro lado, há processamentos em que sal, açúcar, óleos, gorduras e substâncias de uso exclusivamente industrial são adicionados para aumentar a validade dos alimentos e adicionar cor, sabor, aroma e textura. 

Refrigerantes, salgadinhos, biscoitos recheados, macarrão instantâneo e embutidos são grandes exemplos de alimentos ultraprocessados, mas cereais açucarados, barrinhas proteicas, molhos e temperos prontos também são e podem passar despercebidos.

Como identificar um ultraprocessado

Leites enriquecidos
(Crédito: gpointstudio/ Freepik)

1. Olhe a lista de ingredientes

A presença de ingredientes com nomes pouco familiares costuma indicar que o alimento é ultraprocessado: espessantes, emulsificantes, corantes, aromatizantes, realçadores de sabor, gordura vegetal hidrogenada, óleos interesterificados, xarope de frutose, isolados proteicos, agentes de massa, e vários outros tipos de aditivos.

2. Desconfie das embalagens

Mesmo sendo nutricionalmente desbalanceado, o alimento ultraprocessado pode ter na embalagem alegações nutricionais e de saúde. Desconfie de promessas de benefícios para a saúde.

3. Preste atenção no que diz a lupa

Desde outubro de 2023, as embalagens contam com o desenho de uma lupa para alertar se o alimento é alto em açúcar, gordura e sódio. Para entender o motivo, vale a mesma dica de olhar a lista de ingredientes e as informações nutricionais.

Por que evitar?

diminuir o índice glicêmico
(Crédito: Freepik)

Especialistas alertam que o consumo frequente de alimentos ultraprocessados está associado ao aumento do risco de doenças crônicas como obesidade, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.

Além de serem ricos em açúcar, gordura e sódio, os ultraprocessados acabam substituindo alimentos de maior valor nutricional, como frutas, vegetais, leite, proteínas e água. Isso já foi comprovado em estudos sobre os hábitos alimentares de diferentes países: México, Brasil, Chile, Colômbia, Reino Unido, Portugal, França, Itália, Estados Unidos, Canadá, Taiwan, Coreia e Austrália.

In natura ou minimamente processados

Alimentos in natura
(Crédito: freepik/ Freepik)

A base de uma alimentação saudável deve ser formada por alimentos in natura e minimamente processados.

São aqueles obtidos diretamente da natureza ou submetidos a poucas etapas de processamento, sem adição de sal, óleo ou açúcar:

  • Legumes, 
  • verduras, 
  • frutas, 
  • raízes e tubérculos,
  • arroz branco, integral ou parboilizado,
  • milho em grão ou na espiga, 
  • grãos de trigo e de outros cereais,
  • feijão de todas as cores, 
  • lentilhas,
  • grão-de-bico,
  • outras leguminosas;
  • cogumelos frescos ou secos;
  • frutas secas, 
  • sucos de frutas naturais e sucos de frutas pasteurizados e sem adição
  • de açúcar ou outras substâncias,
  • castanhas, 
  • nozes, 
  • amendoim,
  • outras oleaginosas sem sal ou açúcar, 
  • especiarias em geral e ervas frescas ou secas,
  • farinhas de mandioca, de milho ou de trigo, 
  • macarrão ou massas frescas ou secas feitas com essas farinhas e água,
  • carnes de gado, de porco e de aves e pescados frescos, resfriados ou congelados,
  • leite pasteurizado, UHT (‘longa vida’) ou em pó, 
  • iogurte natural (sem aditivos),
  • ovos,
  • chás, 
  • café,
  • água potável.

Este texto contém informações do Guia Alimentar para População Brasileira, do e-book “Alimentação, saúde e meio ambiente” da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica e da Universidade Federal de São Paulo.

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