Desvendando os rótulos

Glutamato monossódico, fenilalanina, acidulante, flavonóide. Palavrões? Não. Estas são substâncias que provavelmente você ingere todos os dias. Presentes nos alimentos industrializados, elas constam nos rótulos dos produtos. Mas você sabe o que significam? Pois é, você não é a única. São tantos nomes estranhos e siglas desconhecidas que só os especialistas são capazes de conhecer. Então, para acabar com o mistério que ronda os alimentos da sua despensa, fomos conversar com quem entende do assunto.

De acordo com a ANVISA, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, os rótulos devem apresentar o nome do produto, seu peso, identificação de origem e lote; prazo de validade, instruções sobre preparo e uso, valor calórico, informação nutricional e lista de ingredientes. A química Conceição Trucom informa que o Código de Defesa do Consumidor garante o direito a uma informação clara e precisa nas embalagens dos alimentos – até porque dependemos das instruções das etiquetas e da idoneidade dos fabricantes para saber o que estamos comendo.

A fenilalanina é um dos responsáveis pela produção de adrenalina, fundamental à nossa sobrevivência.

Para o nutrólogo Francisco Silveira, a didática em relação às substâncias poderia promover uma educação alimentar diferenciada, reduzindo os riscos de doenças crônicas não-transmissíveis, como a obesidade e os problemas cardiovasculares. Faz sentido. Afinal, se você soubesse exatamente o que está ingerindo, talvez optasse por outros produtos. E ele vai além. “Os rótulos deveriam apresentar os riscos que determinadas substâncias representam à saúde, tal como acontece hoje nas embalagens de cigarro”, completou.

Conceição Trucom atenta também para o fato de que várias pessoas possuem intolerâncias e alergias a algumas substâncias presentes nos alimentos, e a sua identificação nos rótulos é um passo importante para o diagnóstico desses casos.

Contém fenilalanina

Você certamente já viu essa substância em destaque em alguns rótulos. Mas isso te diz alguma coisa? Não. Então o nutrólogo Francisco Silveira diz: “A fenilalanina é um dos responsáveis pela produção de adrenalina, fundamental à nossa sobrevivência. Ela realça o humor e a disposição, diminui as dores, auxilia na memória e no aprendizado, e ainda reduz o apetite”, revela.

Sendo ela uma substância aparentemente benéfica, por que então o alerta? O aviso, no caso, é destinado aos portadores de fenilcetonúria – uma das doenças hereditárias identificadas pelo teste do pezinho -, que transforma a fenilalanina em compostos tóxicos, secretados pela urina, mas que podem causar atrasos mentais em crianças e distúrbios intelectuais em adultos. Ou seja, um perigo! “A fenilalanina está presente no aspartame e na sacarina, edulcorantes que devem ser usados por tempo limitado por diabéticos, gestantes e pessoas com doenças auto-imunes, principalmente em temperaturas elevadas”, ressalta a química Conceição Trucom.

Contém glúten

O glúten é outro que vem tendo sua participação nas fórmulas alardeada. Segundo a nutricionista Fernanda Giannechini, essa proteína, encontrada na semente de cereais (como trigo, cevada, aveia e centeio), é usada para dar consistência, elasticidade e leveza à massa dos alimentos, em geral bolos e biscoitos. “O problema é que ela apresenta aminoácidos tóxicos em sua composição, o que pode provocar alguns danos à saúde”, afirma Fernanda.

Muitas pessoas têm intolerância ao glúten, mas não percebem o problema, porque os sintomas (distensão abdominal, dor de cabeça e má digestão) são frequentemente confundidos com outros distúrbios. Fernanda Giannechini revela ainda que, em casos mais graves, desenvolve-se uma doença auto-imune, chamada celíada , que ataca o intestino delgado, causando prejuízo na absorção dos nutrientes.

Corantes

Figurinhas fáceis nos rótulos, os corantes também não escapam ilesos das receitas. Doces, biscoitos, bebidas e gelatinas são tão bonitos quanto perigosos. A tartazina, mais conhecida como corante amarelo, por exemplo, pode provocar reações alérgicas adversas em pessoas sensíveis. Asma, hiperatividade e até o aparecimento de cânceres são os efeitos mais graves.

Gorduras trans

Atualmente na berlinda, as gorduras trans têm a finalidade de melhorar a consistência e aumentar a validade do produto, sendo vastamente encontradas no sorvete, na batata-frita, nos salgadinhos e bolos industrializados. No entanto, sua culpa na composição dos alimentos já está decretada. “Em excesso, podem causar aumento do colesterol total e do ruim, e redução do colesterol bom, o que favorece a ocorrência de problemas cardíacos”, comenta a nutricionista Fernanda Giannechini. Justamente por todos esses agravantes, esse tipo de gordura está sendo banida da indústria alimentícia. Já é praxe o rótulo avisar sua ausência.

Conservantes

Se é industrializado, pode olhar o rótulo do produto que lá estarão eles. Os conservantes, constituídos em sua maioria por ácidos orgânicos, impedem ou retardam alterações causadas por microrganismos. Mas podem provocar reações alérgicas semelhantes às dos corantes. O BHT, em especial, pode ser tóxico para o sistema nervoso.

Glutamato monossódico

Mas não só são os alimentos prontos que apresentam em seus rótulos substâncias que mereçam divulgação. Alguns condimentos também são dignos de alerta. O glutamato monossódico, por exemplo, tem a finalidade de realçar o sabor dos pratos salgados, mas não são raros episódios de alergias, dores de cabeça e depressão com seu uso.

Produto natural

Agora, se você é daquelas que só consome depois de olhar a embalagem e ver a indicação de que se trata de um produto 100% natural, a química Conceição Trucom avisa: “Nem os “naturais” são inocentes. Tudo pode causar irritação. As pessoas acham que esses produtos são inofensivos. O mel, por exemplo, pode provocar alergia e estar contaminado com bactérias”. Portanto, o importante é o consumo consciente!