Outro hormônio, a tibolona, também tem sido muito utilizado na reposição, porque eleva a circulação clitoriana, e, de tabela, aumenta a lubrificação vaginal e o apetite sexual. “A terapia hormonal com a tibolona devolve a elasticidade às paredes vaginais e melhora o humor”, afirma o Jorge Nahás. Segundo ele, isso se dá graças à capacidade de o hormônio se transformar em outros três: estrogênio, progesterona e androgênio. Este último, ligado à libido e ao desejo sexual.
Antigamente, por exemplo, as doses de hormônio eram altíssimas, o que podia, de fato, aumentar as chances de câncer. Uma pílula continha a quantidade de hormônios que hoje existe em uma caixa inteira
O importante é que o tratamento pode ser adaptado pelo médico para beneficiar praticamente todas as mulheres. Apenas quem já teve câncer de mama, problemas de coagulação do sangue e disfunções hepáticas é que não pode se submeter à terapia hormonal. Segundo o César Eduardo, o papel do médico, no caso da TRH, é apenas o de consultor. Ele deve estar ali para orientar e amparar – e não para obrigar a paciente a optar pelo tratamento. No final das contas, a decisão é da mulher.
Sucesso sem medos
Iniciado o tratamento na hora certa, assim que a menopausa chega, ele deve ser mantido por cinco anos. “Até os 55 anos, a terapia oferece risco praticamente zero”, garante o Jorge Nahás. Pesquisas levaram – e outras ainda levam – a crer que a terapia de reposição hormonal é uma verdadeira vilã, capaz de causar, entre outros, o câncer de mama. Mas o fato é que pesquisas realizadas há um tempo não são mais parâmetro para o presente, pois a medicina evolui. “Antigamente, por exemplo, as doses de hormônio eram altíssimas, o que podia, de fato, aumentar as chances de câncer. Uma pílula continha a quantidade de hormônios que hoje existe em uma caixa inteira”, explica César Eduardo. E, segundo ele, as mulheres iniciavam a terapia hormonal muito tarde, aos 60 anos, quando, aí sim, ela oferece risco para a saúde.
Mas, afinal, existe ou não existe o risco de câncer mamário? “Estudos revelaram aumento da incidência de câncer de mama apenas com alguns tipos de terapia hormonal, mas não todos”, garante Ricardo Meirelles. Segundo César Eduardo, o risco é muito pequeno: “Apenas oito em cada 10.000 mulheres têm esse tipo de câncer como conseqüência da terapia hormonal. Ainda assim, a proporção é válida somente entre as mulheres que se submeteram ao tratamento por mais de cinco anos”, informa.
“Antes de começar a fazer reposição hormonal, ouvi a opinião de vários médicos e todos foram unânimes: “não deixe de fazer”. Hoje em dia faço acompanhamento anual de mamografia e tem estado tudo ótimo, inclusive na minha vida! Nada de calores, secura vaginal… Recomendo!”, alegra-se Déborah Nogueira, professora.
Sandra Santos, advogada, começou a fazer reposição hormonal antes da maioria das mulheres, porque retirou o útero, trompas e ovários, parando de produzir hormônios na marra. “O TRH não foi exatamente uma opção minha, mas uma necessidade. Relutei, ainda mais porque minha pele ficava irritada por conta do adesivo, mas quando percebi a melhora na minha qualidade de vida, rapidamente mudei de idéia! Fora a pele irritada, nunca senti nenhum outro efeito negativo do tratamento e hoje vivo muito bem!”, conta Sandra.
Se a mulher iniciou o tratamento na hora certa, por volta dos 50 anos, e completou os cinco anos de terapia, mas estiver se sentindo tão bem a ponto de querer continuar, aí ela deve arcar com as conseqüências. É o que explica Jorge Nahás, que desmistifica um último mito: “Terapia hormonal não engorda!”. Pelo contrário! O uso de estrogênio contribui para diminuir a gordura abdominal.
Um quê a mais
Existem, ainda, os chamados fitormônios, substâncias vegetais como as isoflavonas e lignanos, muito parecidos com o estrogênio. Podem ser extraídos, por exemplo, da soja, e produzem efeitos semelhantes aos da terapia hormonal convencional. Segundo César Eduardo, o alívio dos sintomas da menopausa, porém, não é da mesma magnitude. E Ricardo Meirelles alerta: “A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia não reconhece os fitormônios como substitutos da terapia hormonal”. Nos Estados Unidos, é sabido que esses elementos são utilizados apenas como suplementos alimentares.
Outra boa pedida, além dos suplementos, são as atividades físicas, principalmente as de fortalecimento muscular. O Pompoarismo, por exemplo, é um exercício que fortalece a musculatura interna da vagina, melhorando o desempenho sexual e a incontinência urinária. Mas a grande novidade é a Yoga Hormonal. “Ela alia a respiração e o relaxamento mental às posturas que estimulam as principais glândulas produtoras de hormônios a funcionar”, explica Leandro Castelo Branco, um dos donos e professor do Saraswati Studio de Yoga, no Rio. “Tanto o Pompoarismo quanto a Yoga hormonal são aulas leves que têm um fundo terapêutico, aliado ao de prevenção. Por isso, são ideais para mulheres que estão entrando na menopausa e para aquelas que sofrem, por algum outro motivo, com a falta de hormônios”, completa Leandro.
De acordo com especialistas, é essencial, portanto, que a terapia de reposição hormonal esteja acompanhada de hábitos saudáveis, como não fumar, manter uma dieta rica em cálcio e fibras e pobre em gorduras animais, fazer exercícios e tomar suplementos de cálcio e vitamina D. Eis a fonte da juventude e de todos os prazeres que nela se encontram. Mas, acima de tudo, o importante é envelhecer bem… e com saúde!








