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São necessários três fatores para que a vacina de Oxford seja liberada, diz cientista

Publicado 21 Jul 2020 – 12:05 PM EDT | Atualizado 21 Jul 2020 – 12:10 PM EDT
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A notícia de que a potencial vacina para COVID-19 desenvolvida pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, foi classificada como eficaz e segura em testes preliminares tomou o mundo – e, após a divulgação da importante descoberta, Sarah Gilbert, cientista que lidera as pesquisas sobre o composto, explicou o que precisa acontecer nos próximos meses para que a vacina chegue rapidamente à população.

Vacina precisa de três fatores para ser liberada

Em entrevista à “Rádio BBC”, Sarah afirmou que os resultados recém-divulgados se referem à primeira fase de testes com a vacina em questão, que foi finalizado em maio. A partir deles, foi possível constatar que o composto ocasionou apenas efeitos colaterais comuns em vacinas (como dores musculares e mal-estar geral) e que gerou uma resposta bastante importante do sistema imunológico contra o vírus.

Isso, porém, não significa que ela está pronta para ser liberada e, segundo Sarah, três coisas precisam acontecer para que isso seja uma realidade. Conforme explicou a cientista, a terceira e última fase das pesquisas – que já está em andamento em uma série de países, incluindo o Brasil – é o primeiro fator do qual a liberação desta vacina para uso da população depende.

“Nós precisamos conseguir demonstrar a eficácia da vacina, então mostrar que ela realmente funciona e protege as pessoas das infecções. Para isso, nós precisamos dos testes da fase três, com muitas pessoas”, disse ela. Até agora, as descobertas apontam uma resposta do sistema imunológico à vacina, mas como os pacientes não foram expostos ao vírus em si, ainda não é possível saber se eles estão, de fato, imunes. Isso, por sua vez, ocorre na fase 3."

Além disso, ela citou também que a produção das vacinas deve ser garantida, e este é o segundo fator necessário para a liberação do medicamento. “Precisamos que a fabricação esteja em andamento e produzindo o número de doses que serão necessárias”, afirmou a cientista, ressaltando que, atualmente, a AstraZeneca, biofarmacêutica que fez parceria com a universidade, já vem produzindo o composto em lotes de 200 litros cada um – o equivalente a um milhão de doses.

Por fim, Sarah explicou que há também a questão do licenciamento da vacina, feito por órgãos reguladores internacionais – e o procedimento padrão, segundo ela, é demorado. “Nós precisamos que os reguladores aprovem o uso da vacina, então eles vão revisar todos os nossos dados de segurança, de imunogenicidade, de eficácia, e tomarão decisões sobre se a vacina deve ser veiculada”, afirmou.

É com estes órgãos, segundo ela, que está a decisão de quem recebe a vacina primeiro. “Não é possível vacinar todo mundo, então é preciso haver decisões – algo que não é papel da Universidade de Oxford”, esclareceu ela, enfatizando que o time de pesquisadores está fazendo todo o possível para assegurar que o composto funciona e foi devidamente testado.

Questionada sobre a possibilidade de a vacina estar pronta para uso até o final de 2020 – algo levantado recentemente pelo diretor-geral da AstraZeneca, Pascal Soriot –, Sarah afirmou que ainda não é possível dar uma data certa, mas que, se tudo correr bem na terceira e última fase de testes, esta previsão não é algo impraticável. “É viável, mas não há garantias. Há muitas coisas que precisam funcionar juntas para isso virar realidade”, concluiu.

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