Paciente canta e toca violão durante cirurgia no cérebro para evitar ficar com sequelas

por | jan 16, 2017 | Saúde

O Hospital do Câncer de Barretos realizou uma cirurgia cerebral atípica. Durante o procedimento de retirada de parte de um  tumor cerebral, o paciente e cantor Reginaldo Oliveira Santos Junior, que usa o nome artístico Felipe Reis, teve que cantar e tocar violão.

Craniotomia

A operação começou com o músico sedado para que ele não sentisse dor em pontos muito sensíveis do cérebro. Horas depois, os médicos reverteram os efeitos da anestesia.

Com isso, o paciente passou a mexer os dedos das mãos e a falar. Logo em seguida, um tablet com várias imagens foi mostrado ao cantor para que ele tentasse reconhecer os objetos e a parte cognitiva dele pudesse ser analisada pelo médicos. 

Enquanto ele interagia com parte da equipe médica, outros profissionais observavam as partes do cérebro que eram ativadas e, portanto, não poderiam ser mexidas para não comprometer as funções do paciente.

“Conforme ele ia cantando, tocando o violão e respondendo às perguntas, fomos desenhando e mapeando a área que deveria ser preservada e a que deveria ser retirada”, explicou o neurocirurgião responsável pela cirurgia Carlos Afonso Clara.

Além disso, um aparelho também monitorava a reação do paciente a “mini-choques” que recebia como estímulo no cérebro para testar as reações de seu corpo.

Cirurgia no cérebro com paciente acordado 

“O procedimento com o paciente acordado possibilita que o cirurgião estimule o cérebro identificando as áreas que podem ser operadas”, afirmou Clara.

Após quatro horas de cirurgia, o violão do músico foi entregue e Reginaldo começou a tocá-lo e a cantar.

Segundo o neurocirurgião, não é a primeira vez que uma cirurgia é realizada no hospital com um paciente acordado, mas foi a primeira em que o paciente tocou um instrumento e cantou. Em 2015, outro brasileiro tocou Beatles enquanto passava por uma cirurgia semelhante a de Reginaldo.

Risco de sequelas é minimizado


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Com este recurso, os médicos conseguem controlar a capacidade de fala, compreensão e interpretação da linguagem usada pelo paciente durante a cirurgia. Ao preservar essas áreas, os riscos de sequelas após a intervenção são minimizados.

“Realizar uma cirurgia com o paciente acordado tem o objetivo de preservar as funções dele, para que possa ter uma melhor qualidade de vida após a operação. Antes, com a pessoa totalmente anestesiada, o cirurgião tendia a ser um pouco mais agressivo e isso podia gerar consequências ao paciente”, relata Clara.

Pós-operatório

O músico se recupera da cirurgia na UTI do hospital e pode ser que precise de quimioterapia ou radioterapia para tratar as partes do tumor que não puderam ser retiradas. 

Confira o vídeo:

Doenças no cérebro