Muita higiene pode fazer mal para saúde e causar várias doenças (até esquizofrenia)

por | maio 18, 2017 | Saúde

Nosso atual estilo de vida que possibilita práticas de higienização extremas pode, na verdade, tornar nosso organismo mais frágil. Ou seja, aquele papo de deixar a criança ter contato com germes para desenvolver anticorpos é verdade, e numa escala muito maior. Quem diz isso é um estudo norte-americano que sugere, inclusive, que no futuro teremos de incluir bactérias artificialmente em nossos ambientes. 

Falta de bactérias está nos deixando doentes 

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De acordo com um trabalho produzido pela Universidade do Colorado e publicado na revista Science Direct, a forma como lidamos com nossa higiene hoje em dia nos priva de contato com organismos imunorreguladores evoluídos, isso desde a barriga de nossas mães.

A relação com as bactérias, por exemplo, seria insuficiente e poderia causar até doenças psiquiátricas como a esquizofrenia, uma vez que o sistema imunológico influencia a regulação do cérebro. Os pesquisadores, contudo, alertam: até aqui, as melhorias nas condições de higiene foram bem mais benéficas do que prejudiciais à saúde.

Como isso ocorre?

O nosso atual estilo de vida, sobretudo quando considerado o modelo urbano, priva o contato com organismos imunorreguladores com os quais nós, seres humanos, evoluímos em conjunto. Ao mesmo tempo provocam exposição a outros organismos não imunorreguladores, que são associados a infecções.

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A falta desses organismos imunorreguladores pode determinar até variantes genéticas e é um fator de risco para que haja colonização por outros organismos, que conduzem a doenças inflamatórias crônicas. As inflamações são fundamentais para combater agentes patogênicos, mas quando muito volumosas e crônicas, se tornam um problema.

Os pesquisadores sugerem, portanto, que a presença daqueles organismos que estávamos acostumados a conviver simbioticamente é, inclusive, uma necessidade genética. “Os seres humanos estão em um estado de dependência evoluída deles”, afirma o artigo.

Como resolver?

Os pesquisadores acenam com a possibilidade de, no futuro, podermos desenvolver produtos com versões domesticadas destes organismos que poderiam ser administrados desde crianças e carregados pelo resto da vida.

Isso, contudo, apenas para alguns elementos. Afirmam que a microbiota intestinal (complexo de bactérias, vírus, fungos que vive em nosso intestino) é “uma verdadeira necessidade fisiológica e metabólica determinada geneticamente”. Ou seja, esses germes precisam sempre estarem em nosso corpo, embora ainda não se saiba como eles chegam lá.

Falta de bactérias e doenças psiquiátricas

Está tudo relacionado: o sistema imunológico aceita as bactérias da microbiota intestinal e age sobre elas, ao mesmo tempo que recebe suas influências – o intestino é responsável pela absorção e liberação de diversas substâncias no corpo. E ambos influenciam o desenvolvimento das funções do cérebro por através dos caminhos que constituem o eixo intestinal.

Com este sistema inter-relacional desregulado pela falta de micro-organismos adequados, as inflamações crônicas são mais recorrentes e perigosas. Quando eventos inflamatórios acontecem durante a gravidez, podem causar problemas de desenvolvimento no sistema nervoso central e afetar o cérebro fetal. No limite, podem ser a causa de casos de esquizofrenia e autismo.

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Nossa relação com germes ainda é obscura

“A colonização pelas bactérias é fundamental para nossa vida e tem relação com o cérebro. Muito do que sentimos e pensamos é motivado pelas bactérias em nosso intestino”, diz Natalia Pasternak, professora e pesquisadora do departamento de bacteriologia molecular do ICB-USP.

Ainda assim, pouco sabemos da nossa interação com estes micro-organismos. Sabemos que todos os mamíferos são colonizados interna e externamente por diversas espécies. Além das bactérias, também nos relacionamos com vírus, fungos, protozoários, arqueas e ácaros.

A conclusão do estudo da Universidade de Colorado é de que os animais podem até sobreviverem em um ambiente livre desses germes, mas que apresentam múltiplas anormalidades imunológicas, metabólicas e comportamentais.

Bactérias do bem