Mounjaro e pancreatite

Como prevenir a pancreatite, possível efeito adverso do emagrecimento com Mounjaro?

Afinal, Mounjaro e pancreatite têm relação? Veja o que diz a ciência e confira dicas práticas para usar durante o tratamento

Após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária e outros órgãos ao redor do mundo relatarem a investigação de mortes por pancreatite supostamente relacionadas ao uso de “canetas emagrecedoras”, essa condição passou a gerar apreensão especialmente em quem faz uso dessas medicações. Mas, afinal, qual é o risco real e como prevenir esse quadro de saúde? Entenda abaixo:

Pancreatite e Mounjaro: o que é, por que pode acontecer e mais

(Crédito: freepik/freepik)

Citada na bula de medicamentos como Mounjaro, Ozempic e outras “canetas emagrecedoras” como possível efeito adverso raro, a pancreatite é a inflamação do pâncreas. Se não tratada, ela pode levar a óbito – e, por isso, é muito importante que qualquer pessoa que esteja tratando obesidade saiba mais sobre ela.

Até o momento, estudos não encontraram uma relação direta entre a medicação e a condição. A pancreatite é citada na bula dos medicamentos devido a casos isolados documentados durante as análises, e devido ao fato de que a relação entre emagrecimento rápido (por qualquer método, desde dietas restritivas até cirurgias bariátricas) e a doença é amplamente conhecida.

Quando uma pessoa perde peso rapidamente, independentemente da estratégia usada, a quantidade de gordura no corpo diminui. Com isso, grandes quantidades de colesterol caem na corrente sanguínea e chegam ao fígado. Esse órgão, por sua vez, secreta o excesso de colesterol na bile, responsável por dissolvê-lo. Se houver mais colesterol do que as substâncias que o dissolvem, esse excesso se transforma em cálculos.

Esses cálculos, por sua vez, podem bloquear o ducto biliar ou o ducto pancreático, impedindo que o pâncreas libere as enzimas digestivas que normalmente envia ao intestino. Quando isso acontece, essas enzimas ficam “presas” dentro do pâncreas, mas ainda ativas – o que leva à inflamação do órgão, conhecida como pancreatite.

Outro fator relevante na relação entre pancreatite e peso é o fato de que tanto a obesidade quanto outras questões frequentemente relacionadas com ela, como diabetes e o nível de triglicérides alto, já aumentam o risco do paciente desenvolver pedras na vesícula. Consequentemente, pessoas obesas e diabéticas têm risco naturalmente alto para desenvolver pancreatite mesmo sem tomar nenhum remédio para emagrecer.

Pancreatite e Mounjaro: sintomas e como prevenir

Mounjaro e pancreatite
(Crédito: Divulgação/Eli Lilly)

Qualquer pessoa que esteja usando “canetinhas emagrecedoras”, fazendo dietas restritivas ou se recuperando de uma cirurgia bariátrica devem se atentar aos sintomas de pancreatite. Em geral, esse quadro causa:

  • Dor abdominal intensa e persistente que pode irradiar até mesmo para as costas;
  • Náuseas e vômitos que não passam;
  • Febre e calafrios;
  • Amarelamento da pele e/ou dos olhos;
  • Perda total de apetite persistente.

Já a prevenção desse quadro entre pessoas que estão em processo de emagrecimento ou tratamento para obesidade requer muita observação por parte do paciente, acompanhamento especializado e comunicação aberta com o médico. Veja abaixo estratégias para evitar pancreatite:

Não usar os remédios por conta própria

O tratamento com “canetinhas emagrecedoras” ou qualquer outra estratégia para perda de peso deve ser acompanhada de perto por um profissional competente. Com isso, é possível saber, antes do tratamento começar, a predisposição do paciente a desenvolver pancreatite, se os órgãos estão funcionando bem e se ele já tem cálculos biliares.

Essa investigação pode mudar o curso do tratamento e ditar as estratégias usadas ou rejeitadas para esse paciente. Usar os medicamentos por conta própria amplifica o risco de efeitos colaterais graves – e isso inclui a pancreatite.

Comunicar o médico sobre perda de apetite total

As “canetinhas emagrecedoras” desaceleram o esvaziamento do estômago e, com isso, diminuem a fome. Dessa forma, o paciente come menos – mas ele não deve, nunca, parar de comer ou sofrer de ausência total de apetite.

Se o paciente notar que está sem fome a ponto de passar o dia sem comer, é preciso comunicar o médico responsável pelo tratamento. Pode ser necessário, nesses casos, ajustar a dose do medicamento. Isso garante uma perda de peso menos drástica ou rápida, nutrição adequada e prevenção da formação de cálculos que levam à pancreatite.

Adicionar gordura saudável às refeições

A ingestão de gordura saudável, presente em alimentos como abacate, azeite, castanhas e peixes, ajuda a vesícula a manter o bom funcionamento e reduz o risco de cálculos. Sendo assim, é contraindicado que pacientes em tratamento para obesidade façam dietas com quase zero gordura. Eles devem preferir uma dieta balanceada, incluindo alimentos com gordura insaturada.

Praticar atividade física regular durante o tratamento

Exercícios físicos ajudam o corpo a funcionar da forma como ele precisa. O movimento tende a estimular a fuinção biliar, melhorando o metabolismo de forma geral e, assim, prevenindo a pancreatite.

Beber bastante água

A ingestão de água é essencial para o bom funcionamento do corpo e para a produção do volume adequado de bile. Isso ajuda na prevenção dos cálculos biliares e, consequentemente, da pancreatite.

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