Estes são os melhores hábitos para quem tem lipedema: melhoram a dor e outros sintomas

Segundo médico especialista na doença, melhorar o lipedema envolve melhorar o próprio estilo de vida

O lipedema é uma doença inflamatória, crônica e progressiva que afeta o tecido adiposo, ou seja, a camada de gordura do corpo. Apesar da doença não ser o mesmo que obesidade e não ser desencadeada por questões de estilo de vida, mudanças de hábito podem ajudar a melhorar os diversos sintomas, desde a dor até a aparência dos membros mais afetados. Entenda abaixo o que fazer no dia a dia para melhorar o lipedema:

Lipedema: o que é e como melhorar

lipedema nas pernas
Lipedema com dobras de pele (Crédito: Reprodução/Buso et al sob os termos de Creative Commons)

De acordo com o Consenso Brasileiro de Lipedema e a Lipedema World Alliance, o lipedema é uma desordem do tecido adiposo que tem influência genética e hormonal. Por causar um aumento do volume de tecido adiposo especialmente nas pernas (e, às vezes, nos braços), a doença é frequentemente confundida com obesidade.

O lipedema, no entanto, não tem nada a ver com engordar ou emagrecer. Se trata de uma gordura diferente e resistente, que tende a não diminuir muito em volume após um processo de emagrecimento. Além disso, o problema também pode provocar dor, complicações vasculares e grande impacto na mobilidade.

Mas, afinal, o que é possível fazer para melhorar o lipedema? Conforme explica o cirurgião plástico Fabio Kamamoto, diretor do Instituto Lipedema Brasil e um dos pioneiros no País no tratamento cirúrgico da condição, é possível incorporar ou retirar certos hábitos da rotina para alcançar esse objetivo.

Ainda que o lipedema não seja diretamente causado pela alimentação e pela rotina de atividades físicas, mudanças no estilo de vida são capazes de ajudar pacientes – e, segundo o médico, compõem, inclusive, o que se conhece por tratamento conservador da doença, aplicado antes de partir para estratégias cirúrgicas.

Hábitos para melhorar o lipedema

melhorar o lipedema
(Crédito: Freepik)

Conforme explica o médico, o lipedema pode piorar devido a uma série de questões como sedentarismo, consumo exagerado de substâncias inflamatórias em alimentos (como açúcar, por exemplo) e até estresse. Sendo assim, é interessante que mulheres com lipedema busquem:

Evitar o consumo de álcool

De acordo com Kamamoto, o álcool é uma substância que provoca reações inflamatórias no organismo. Por isso, há quem relate piora dos sintomas do lipedema após beber – e, indica-se, portanto, evitar seu consumo (que já é prejudicial por outros fatores).

Diminuir o consumo de alimentos com açúcar, farinha branca e mais

O médico explica que, em algumas pacientes, o consumo de substâncias como glúten, lactose e açúcar, presentes em doces, laticínios e alimentos com farinha de trigo, piora a inflamação do lipedema. Ainda assim, cortar esses alimentos de forma definitiva não é, segundo Kamamoto, tão viável para todos.

“Como isso não é uma regra absoluta e como a restrição desses alimentos de forma total e para sempre é algo muito restritivo, o que fazemos e testar a sensibilidade da pessoa a esse tipo de alimento, ver como ela responde ao consumir e orientar um consumo moderado, não uma ausência absoluta – porque isso é muito difícil de aderir”, declara.

Sendo assim, ao notar que os sintomas do lipedema diminuem após reduzir o consumo de pães, doces, massas e outros alimentos que contêm essas substâncias, convém controlar a quantidade deles que faz parte da dieta.

Buscar formas de controlar o estresse

O lipedema é uma doença multifatorial e, segundo o médico, o estresse também é inflamatório. Sendo assim, indica-se buscar formas de controlá-lo, seja recorrendo à psicoterapia, seja aderindo a hobbies.

Dormir bem

O hábito de dormir mal também é, segundo o médico, algo que contribui com a inflamação do organismo. Sendo assim, quem dorme tarde deve começar a adiantar, aos poucos, o sono – e quem sofre com problemas para dormir pode se beneficiar de buscar auxílio com acompanhamento psiquiátrico ou da medicina do sono.

Testar a dieta mediterrânea

Já apontada como um dos estilos alimentares mais benéficos para a saúde, a dieta mediterrânea é rica em fontes de gorduras boas (como azeite de oliva e oleaginosas), vegetais, ervas e proteínas de boa qualidade (dando preferência a peixes, frutos do mar e ovos). Segundo Kamamoto, inclusive, essa dieta pode ser benéfica para quem tem lipedema.

Incluir exercícios na rotina

O sedentarismo não causa lipedema, mas piora a condição – e, por outro lado, aderir ao exercício físico é uma ótima forma de combater seus sintomas. Segundo o médico, o indicado é praticar atividade física regular dividida entre cardio, mantendo a frequência cardíaca elevada, e treinos de força.

Aposta em treino de força para o core

Um ponto sobre o lipedema que muita gente não conhece é que, se o treino de força não for muito bem organizado, a gordura – especialmente das pernas – pode inflamar ainda mais. Isso pode causar dor exacerbada e impedir a pessoa de treinar novamente por alguns dias.

Sendo assim, o médico indica que pacientes foquem especificamente nos treinos de força voltados para o core – ou seja, o “núcleo” de músculos responsável por estabilizar o corpo. Isso inclui, por exemplo, músculos abdominais, das costas, do assoalho pélvico e dos glúteos. “Isso ajudaria bastante a pessoa a ter ganho de massa muscular sem piorar muito a inflamação”, pontua.

Praticar a autodrenagem linfática

Segundo o médico, a drenagem linfática, técnica de massagem que promove estímulo do sistema linfático, promove alívio de sintomas do lipedema para muitas mulheres. Sendo assim, apostar em sessões de drenagem pode ser interessante – e, quando não for possível, a autodrenagem é uma saída.

Ainda que não tenha um efeito tão impactante, a autodrenagem também tende a promover alívio. Para realizá-la, siga os seguintes passos:

  • Com os dedos, faça movimentos circulares suaves na lateral do pescoço, de cima para baixo, para ativar os gânglios linfáticos da região;
  • Leve uma das mãos à axila do lado oposto e aperte a região levemente de forma ritmada, de 5 a 10 vezes de cada lado;
  • Com as pontas dos dedos, faça aperte levemente a região da virilha dos dois lados;
  • Deslize as mãos espalmadas sobre as pernas (uma de cada vez), da parte interna do joelho até a virilha;
  • Com o polegar, faça movimentos circulares suaves no peito do pé e ao redor do tornozelo, direcionando-os para cima.

Saúde