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Hormônios da felicidade: quais são e como aumentar nosso prazer e bem-estar?

Seu próprio corpo tem neurotransmissores que podem te fazer mais feliz com ajuda de atividade física, alimentos e mais
Publicado 6 Set 2023 – 04:30 PM EDT | Atualizado 6 Set 2023 – 04:33 PM EDT
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Post-it com rostinho feliz se destaca entre os outros Crédito: SauliusPetrauskas/iStock

A famosa busca pela felicidade pode até parecer filosófica ou holística, porém, nos últimos anos, a ciência tem nos mostrado que é possível alcançar e manter a sensação de bem-estar físico e mental por meio de mudanças de atitude, que influenciam bastante os que muitos chamam de hormônios da felicidade.

Quais são os hormônios da felicidade?

Quando falamos de hormônios, geralmente os associamos à parte da endocrinologia, área que estuda e cuida das glândulas endócrinas, suas doenças e suas funções. Mas, como explica Alexandre Valverde, médico psiquiatra pela UNIFESP, são os neurotransmissores os responsáveis por proporcionar a sensação de prazer.

Neurotransmissores e hormônios cerebrais são nomes diferentes para as mesmas substâncias. Os neurônios, que são as células básicas do nosso cérebro e que se comunicam entre si, fazem essa comunicação por meio dos neurotransmissores. Estes, por sua vez, atuam como mensageiros químicos, transportando, estimulando e equilibrando os sinais entre neurônios, células nervosas e outras células do corpo”, explica ele

O especialista aponta a endorfina, serotonina, dopamina e ocitocina como os principais neurotransmissores ou hormônios da felicidade, como são mais conhecidos. Cada um deles tem uma atuação no corpo e desaparece assim que o trabalho é feito. A ciência consegue relacionar picos dessas substâncias com atividades do dia a dia.

Endorfina: hormônio da felicidade liberado no exercício


A endorfina é a substância produzida pelo nosso organismo, durante a realização de atividades físicas intensas. "Como o próprio nome diz, é como se fosse um morfina endógena, uma molécula que atua no controle da dor e que é liberado pelo nosso próprio corpo, para uma autorregulação, ou seja, eu me movimento, sinto dor e sou protegido ou aliviado pela endorfina”, explica o psiquiatra.

Alexandre enfatiza que nós não estamos condenados a nos movimentar para liberar a endorfina. “Existem pessoas que pensam que se a gente ficar em uma posição parada, vamos evitar a dor e esse neurotransmissor não será ativado. Isso é mentira, pois, quanto mais a gente se movimenta, menos sentimos dor”.

Se você ainda não sente vontade fazer um exercício ou não sabe por onde começar, Iris Felicio, graduada em Educação Física e com especialização em Treinamento de Força pela Universidade de São Paulo, entrega as dicas.

"Não existe um exercício específico que libere mais ou menos hormônio, vai de pessoa para pessoa. O indicado é que o indivíduo procure uma atividade física que mais lhe agrada, mesmo que não seja tão intensa. Se não gosta de correr, pode tentar uma bike, uma hora de dança, natação, entre outros. Os neurotransmissores irão agir melhor quando você se sentir confortável e animado com o que escolheu”, revela Iris.


O único fato comprovado cientificamente é que há maior liberação de endorfina e serotonina durante as atividades físicas feitas em grupo. “É por isso que o futebol, o vôlei, e outros exercícios coletivos possuem maior retenção de público. Quando estamos no coletivo, a gente tende a ficar mais feliz", reforça a educadora física.

Serotonina, o hormônio do prazer

Aqui, essa substância está ligada ao emocional, ajudando a equilibrar o humor e dá um impulso benéfico para a vida sexual, no apetite, no sono, e na aprendizagem. “A diminuição da serotonina pode ser responsável pela sensação de tristeza, angústia e ansiedade e baixa autoestima”, diz Alexandre.

Também muito conhecido como o hormônio do prazer, esse neurotransmissor tem seus picos de liberação durante atividades prazerosas e mais comuns no nosso dia a dia, como comer aquele chocolate, durante as relações sexuais, o abraço apertado e até ao receber um presente surpresa.

Para Gustavo Arns, graduado em Direito pela PUC-RS, e que é o criador do Congresso Internacional da Felicidade e do Centro de Estudos da Felicidade, a dica da psicologia positiva é procurar fazer coisas novas. “Quando nós fazemos coisas novas, é como se nós tivéssemos, de alguma forma, trazendo um novo frescor para o nosso cérebro, que sai da mesmice do dia a dia, diríamos assim. São novas sinapses que estão sendo ativadas. Isso pode ser feito em todos os campos da vida, como no relacionamento amoroso, com os amigos e familiares, além dos relacionamentos profissionais”, aponta Gustavo.

Qual a função do hormônio dopamina?


Se você sente oscilações de humor, falta de compensação, e não consegue terminar as coisas, provavelmente, este neurotransmissor seja o responsável por essas sensações. Alexandre aponta que a diminuição da dopamina está relacionada com o cansaço e à falta de concentração.

A dopamina é estimulada no ciclo da recompensa, quando sentimos que completamos uma tarefa, um objetivo, e atua, especialmente, no controle dos movimentos, no aprendizado, cognição e memória. Ela e a serotonina são hormônios liberados, normalmente, pelas nossas atividades comuns e pela nossa estimulação sensorial e intelectual.

Gustavo aponta para o conceito de "flow" ("fluxo", em tradução livre para o português), que é o estado mental no qual a pessoa se encontra plenamente engajada com aquilo que está fazendo, como sendo uma boa aposta. “A gente, naturalmente, encontra o "flow" nos hobbies. São aqueles momentos em que nós não vemos o tempo passar, por estarmos tão envolvidos com a atividade. Isso pode ser diferente para cada pessoa, como a leitura de um livro funciona melhor para um, e, para o outro, tocar um instrumento musical ou ouvir música é o ápice”, exemplifica o estudioso da felicidade.


Ele faz questão de enfatizar que é importante que não sejam atividades de lazer passivo, como redes sociais e streamings de séries, pois elas podem levar as pessoas a perderem a noção do tempo, mas, necessariamente, não irão trazer o relaxamento mental.

Ocitocina, o hormônio do amor

Conhecida como o hormônio do amor, do carinho e do afeto. Uma das liberações mais interessantes da ocitocina é no momento que a gestante está dando à luz, pois ela faz com que as células do útero contraiam e o parto possa acontecer. "É o hormônio que faz o colo do útero dilatar, para que a gente possa nascer, e que faz o leite materno ser expelido mais facilmente pelas glândulas mamárias”, indica Alexandre.

Acredita-se que esse neurotransmissor também tenha função de melhorar a libido, agindo em conjunto com a testosterona no homem e a progesterona na mulher, potencializando o desejo sexual feminino e o orgasmo masculino. Por isso, abraços demorados, ter relações sexuais, e até tomar aquele sol (com proteção!) na praia são algumas das formas de estimular a liberação de ocitocina.

Hormônios da felicidade nos alimentos

Além das atividades propostas anteriormente, nós podemos dar aquela ajudinha nos hormônios da felicidade por meio de uma dieta balanceada. “Nosso corpo produz esses hormônios através de nutrientes, por isso, o equilíbrio da alimentação é fundamental. Assim, nosso corpo consegue produzir hormônios e neurotransmissores de uma forma mais eficiente e melhor”, diz a nutricionista funcional e esportiva, Fabiana Guimarães.

Confira os alimentos que podem ajudar cada um dos neurotransmissores:


  • Endorfina: Chocolate com alta concentração de cacau, pimenta, aveia, alface e sementes de abóbora e girassol;
  • Serotonina: O principal nutriente é um aminoácido chamado triptofano. Aqui, o destaque é para, novamente, o chocolate, mas aveia, tâmaras, salmão, grão de bico, amêndoas também podem ajudar;
  • Dopamina: Os alimentos ricos em proteínas, como peixes, carnes magras, leguminosas (feijão, soja, grão-de-bico) e folhas verde-escuras, como couve, brócolis e espinafre, são os mais indicados, assim como a banana;
  • Ocitocina: O mais recomendado é a ingestão de leite, ovos, carne, peixe e frutos do mar, assim como alimentos oleaginosos, como castanha, avelã e pistache.

Saúde e bem-estar

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