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Como cérebro se adapta quando parte dele está "morta", caso de atriz de "Game of Thrones"?

Mesmo com parte do cérebro "morta", a atriz tem as funções normais - fenômeno que se deve a algo chamado neuroplasticidade
Publicado 18 Jul 2022 – 12:13 PM EDT | Atualizado 18 Jul 2022 – 12:13 PM EDT
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Emilia Clarke teve dois derrames entre 2011 e 2013 Crédito: Frazer Harrison/Equipe/Getty Images/peterschreiber.media/iStock

Recentemente, relembrando os dois derrames que teve entre 2011 e 2013, a atriz britânica Emilia Clarke, conhecida especialmente por seu papel em “Game of Thrones”, deu uma declaração surpreendente sobre as sequelas do problema. Segundo a atriz, apesar de ela falar normalmente e ter a memória em perfeito estado, uma parte grande de seu cérebro está morta – e, segundo médicos, isso ocorre devido a uma capacidade incrível dos neurônios de, basicamente, se “reinventar”.

Emilia Clarke relembra derrames e fala de sequelas “invisíveis”


Em entrevista recente ao programa britânico “Sunday Morning BBC”, a atriz Emilia Clarke, responsável por dar vida a Daenerys Targaryen no seriado “Game of Thrones”, relembrou os derrames que teve em 2011 e 2013. Entre os 22 e os 24 anos, a britânica teve dois episódios de hemorragia cerebral – e, conforme contou na entrevista, apesar de isso não ter deixado sequelas visíveis, parte de seu cérebro não funciona mais desde então.

“Há uma parte do meu cérebro que não é mais utilizável e é incrível que eu seja capaz de falar, às vezes de forma articulada, e viver minha vida normalmente sem grandes repercussões. Estou em meio a uma minoria. Tem bastante ‘faltando’ [do cérebro]”, disse a atriz, explicando com as próprias palavras como ter esta parte “morta” do cérebro não acabou influenciando em questões como fala e movimento, algo que geralmente ocorre com pacientes de acidente vascular cerebral (AVC).


“Assim que alguma parte do seu cérebro fica sem receber sangue, já era. Então o sangue encontra uma rota diferente – mas o que não existe mais, não volta. Isso mostra o quão pouco do nosso cérebro nós realmente usamos”, pontuou, afirmando que sua memória, uma das funções cerebrais mais importantes para o trabalho de atriz, segue em perfeito estado. “Consigo fazer peças de duas horas e meia todas as noites sem esquecer nenhuma fala”, pontuou.

Por fim, ela afirmou que enxerga de forma positiva o fato de parte de seu cérebro não ser mais funcional. “Desisti de ficar me questionando. Digo: ‘Esta é você, este é o cérebro que você tem, não há motivo para se preocupar com o que não existe no seu cérebro, porque o que você tem agora é ótimo’”, concluiu Emilia.

Como o cérebro funciona mesmo após parte dele ser inutilizada?


Conforme explica a neurocirurgiã Tatiana Vilasboas, do Hospital San Gennaro, em São Paulo, tudo isso tem relação com um mecanismo notável do cérebro chamado neuroplasticidade. Segundo ela, médicos achavam, antigamente, que a parte mais importante do cérebro eram os neurônios em si, mas, hoje, acredita-se que as conexões entre eles sejam o que há de mais essencial para o funcionamento – especialmente após problemas como um AVC.

“Tem gente que, por exemplo, tem um AVC, fica sem falar e consegue, com fonoterapia, voltar a falar. Muitas vezes, você olha a tomografia, a ressonância, e há uma área lá pretinha, morta. Isso se chama neuroplasticidade, que é a capacidade do neurônio do lado assumir a função do que não existe mais. Se a via, a conexão estiver presente, a chance de você ter uma resposta é muito grande. Se a conexão estiver cortada, aí as chances são menores”, pontua a neurocirurgiã.

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