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Guia de terapias alternativas

Publicado 30 Jun 2016 – 08:24 PM EDT | Atualizado 2 Abr 2018 – 01:02 PM EDT
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O ser humano busca seu bem-estar desde as épocas mais remotas e, para isso, desenvolveu inúmeras formas de cura. A maioria das pessoas está acostumada com a medicina tradicional moderna, que é a ensinada em universidades e considerada oficial na maioria dos países ocidentais. Entretanto, existem outros tipos de terapias, algumas milenares, que ainda seduzem muita gente, mas que também geram debates dentro do meio científico e médico, e por isso são consideradas alternativas. Polêmicas à parte, elas estão espalhadas por todos os lugares e para que você saiba tudo sobre o tema, o Bolsa de Mulher criou um guia especial com vários métodos de cura. Confira!

Alternativas ou complementares? O debate começa já na definição. Algumas linhas de discussão afirmam que essas terapias não substituem os métodos convencionais. Outros afirmam que elas devem complementar o tratamento alopático, isto é, o tratamento convencional. Essa queda-de-braço já não é assunto novo...

Acreditamos que deve haver fundamento científico e, principalmente, dados estatísticos que comprovem que a terapia funciona, como no caso da acupuntura. Se não houver, ficamos na base do achismo


Marcos Vinícius Ferreira, coordenador da câmara técnica de acupuntura do Cremerj (Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro), diz que os médicos têm "horror ao termo alternativa" porque pressupõe o questionamento da medicina dita tradicional. "Esse não é o caso da medicina complementar, que acrescenta possibilidades de tratamento. A acupuntura e a homeopatia são reconhecidas como especialidades médicas. Então, os conselhos de medicina aprovam a prática, desde que exercida por médicos", afirma. Já outras práticas, como o tratamento com Florais de Bach, não são reconhecidas e o médico pode ser, inclusive, processado pelo conselho. "Acreditamos que deve haver fundamento científico e, principalmente, dados estatísticos que comprovem que a terapia funciona, como no caso da acupuntura. Se não houver, ficamos na base do achismo", explica.

Posta a polêmica, eis o nosso guia com algumas práticas de medicina complementar:

Acupuntura

É uma técnica que, de acordo com a medicina chinesa, está ligada a teorias sobre energias conhecidas pela dualidade, o Yin/Yang. A acupuntura é baseada na crença de que há no corpo canais de energia - os meridianos. Para que haja equilíbrio no organismo a energia deve fluir por esses canais. Sua falta ou seu excesso pode ser reequilibrada através da manipulação de pontos determinados com agulhas e outros instrumentos.

De acordo com o professor de terapias alternativas Mário Freire, a acupuntura pode ser usada para o alívio da maioria das doenças. "Na China, ela é sempre acompanhada pela fitoterapia, que funciona como a nossa medicação", explica ele. É notável, segundo ele, o resultado da acupuntura como analgésico e também como anestésico, inclusive em casos cirúrgicos.

Fitoterapia

A fitoterapia é o emprego de plantas como medicação. Ela tem aplicações em diversos tipos de doença, mas é muito importante ter cuidado na sua utilização. Da mesma maneira que fazem bem, a má utilização de fitoterápicos pode ser prejudicial à saúde: "As pessoas procuram os fitoterápicos porque, por serem naturais, acham que não fazem nenhum mal. Na verdade, eles realmente têm menos efeitos colaterais que a alopatia, mas é importante lembrar que sem indicação médica essas ervas também podem fazer mal", explica a médica fitoterapeuta Márcia Teles.

Homeopatia

O médico Fábio Bolognani, presidente da Federação Brasileira de Homeopatia, explica que os fundamentos da homeopatia vêm desde a criação da medicina. Hipócrates formulou a lei dos semelhantes que foi resgatada, em 1796, pelo médico alemão Samuel Hahnemann, considerado o pai da homeopatia. Desenvolvendo seu método, Hahnemann percebeu que podia utilizar substâncias mais diluídas para não agredir o organismo. Ele também notou que os remédios não funcionavam exatamente da mesma maneira em todos os pacientes, porque características físicas e emocionais influenciavam nas doenças e nas curas.

"A saúde é caracterizada pelo bem-estar, e antes do aparecimento da doença em si, o corpo começa a dar sinais de mal-estar, informando que não está tudo bem. A homeopatia vai estimular o organismo a se recuperar e é utilizada com muita eficiência na profilaxia das doenças", afirma Bolognani. De acordo com ele, na medicina não há o melhor método, mas o momento ideal para cada tratamento. Lesões muito graves, tumores, infecções gravíssimas são algumas doenças que não podem ser tratadas com homeopatia porque o organismo já não tem condições de reagir.

As melhores aplicações da homeopatia são nas alergias, inflamações no sistema respiratório, processos crônicos digestivos e na pele. "Além das doenças crônicas em geral, a homeopatia ajuda muito nas disfunções hormonais femininas - na redução de cólicas e TPM - e também na facilitação da entrada na menopausa, com ou sem a conjugação de alopatia ou fito-hormônios", explica o médico.

Florais

"Os florais fazem parte de uma terapia eminentemente energética que busca harmonia entre a personalidade e a alma, que é o que temos de mais interno", explica a terapeuta Laura Monteiro. Segundo ela, a atuação dos florais é diretamente ligada às emoções, que seriam os fatos geradores da doença. "Algumas das melhores aplicações são ansiedade, nervosismo, depressão, síndrome do pânico, o tratamento de medos concretos como de avião ou de cachorros. Também é muito eficaz nas doenças psicossomáticas, como gastrite e sinusite."

A terapeuta esclarece que os florais não são considerados fitoterapia porque trabalham com a energia das plantas, enquanto a fitoterapia usa seus princípios químicos. São vários os sistemas de terapia, mas a especialista diz que eles funcionam da mesma forma: "Só no Brasil há mais de 15 tipos de floral. É claro que um floral de Bach ou Australiano pode funcionar muito bem aqui, mas é interessante usar a flora da região que afeta a pessoa que está se tratando. Esses florais têm a nossa água, a nossa terra, a energia que nos influencia", diz. Ela informa também que o tratamento com floral já foi reconhecido pela Organização Mundial da Saúde.

Reflexoterapia

O presidente da Associação Brasileira de Reflexoterapia e Pesquisa (ABRP), Osni Tadeu Lourenço, explica que a reflexologia tem duas linhas: uma ligada à medicina chinesa, relacionada aos meridianos, e outra ligada à fisiologia e aos estímulos nervosos, e é nessa que ele trabalha. A terapia é baseada no fato de que há pontos nos pés que estimulam cada parte do nosso corpo.

Ele conta que o termo reflexoterapia se aplica a diversas terapias alternativas como a auriculoterapia, em que os estímulos são feitos nas orelhas, e a cinésioterapia, que busca solucionar os problemas a partir da postura e do movimento do corpo. No entanto, é comumente associada apenas à reflexoterapia podal, uma massagem profissional dos pés.

"A reflexoterapia estimula o sistema nervoso a agir e corrigir problemas na homeostase, que é a capacidade do nosso organismo de se reequilibrar. Assim o cérebro manda antiinflamatórios e analgésicos naturais para lugares que precisam, equilibra a produção de hormônios pelas glândulas e faz funcionar corretamente todo o aparelho digestivo", ensina Osni.

De acordo com o terapeuta, pelos pés também é feita uma avaliação emocional. "Traumas emocionais podem ser o fator gerador de desequilíbrio. Além de encontrarmos esses traumas com a massagem dos pés, fazemos o tratamento dessas questões."

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