Emagrecer dói? Dizem que sim… E quando essa dor se faz presente? Ao subir na balança e não encontrar a referência adequada do próprio peso! Ao vestir uma roupa que insiste em não se acomodar nas formas arredondadas do próprio corpo! Dói quando fantasiamos ou vivenciamos, o excesso de peso determinando a nossa exclusão social. Quando acreditamos que a relação amorosa é impedida pelo julgamento estético do outro. No momento em que a concorrência profissional privilegia o corpo magro. Dói quando o corpo pesa, paralisa e busca o isolamento para se defender das próprias dores.
E qual a saída? Inicialmente, a sensação é de que não existe uma saída. E é natural que seja dessa forma. Esse é um momento de muita fragilização, em que perdemos contato com as nossas ferramentas internas de superação. Acreditamos que não temos autonomia para enfrentar o imperativo dos obstáculos e, por isso, dependemos afetivamente do outro para nos salvar. A fragilidade é um comportamento infantilizado, porém, humano. Nos sentimos indefesos, rememorando uma época, em que, quando criança, aguardávamos o cuidador para nos oferecer a proteção necessária.
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Na medida em que essa proteção se frustrava, ou por contingências naturais ou por falta de quem protegesse, nos sentíamos mais indefesos ou buscávamos formas de construir a nossa própria defesa diante das convocações da vida. Isso significa que a frustração ensina a viver e por mais dolorosa que seja vivenciá-la na infância, ela se torna imprescindível como elemento de crescimento. Sem frustração seríamos todos crianças grandes à espera de proteção. Estaríamos fadados à paralisação, com medo da vida e incapacitados para o enfrentamento natural.
Então? Se lá atrás fomos capazes de superar de forma criativa à proteção que faltou – e a maior prova disso é que crescemos e sobrevivemos às vicissitudes – significa que desenvolvemos ferramentas internas suficientemente eficazes para serem utilizadas na atualidade. Hoje, quando fragilizados – e devemos lembrar que isso é normal – não precisamos depender dos cuidados do outro, como quando criança. Somos adultos e capazes de autosuprir nossas próprias carências.
Receber colo é muito bom e merecemos todo colo do mundo. Quem não gosta de um mimo? Porém, não podemos depender desse colo para sobreviver. Voltando à nossa pergunta inicial: Emagrecer dói? Pode até doer, doer muito, mas o importante é perceber que existe uma saída sim. Ela está dentro de cada um de nós. Basta acessar e resgatar a força interna e tudo se torna possível, até mesmo superar a dor do emagrecimento. Assim, o peso deixa de pesar e tudo fica mais leve, inclusive o corpo.
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*Laura Cavalcanti é psicóloga com especialização em análise existencial e psicoterapia breve. É formada em Relaxação Terapêutica (Método Bergès-Bounes), Teoria e Clínica Psicanalítica e Transtornos Alimentares e Obesidade. É criadora e fundadora do projeto Emagrecer dói? – Grupo de Apoio Emocional, que atende pacientes com dificuldades de emagrecimento e do projeto Aghora’ que oferece atendimento especializado em Psicoterapia Breve em diversos pontos da cidade do Rio de Janeiro.