Aprendi e ensino: “comer não é nutrir”. A nutrição verdadeira é aquela que contempla as células do nosso corpo. Para que isso ocorra, é preciso mastigar, engolir, digerir o alimento adequadamente, absorvê-lo e distribuí-lo por todo o corpo até que finalmente os nutrientes atinjam seu alvo: as células do organismo. Ainda assim, o nutriente deve entrar na célula e esta deverá utilizá-lo.
O corpo só ficará realmente saciado se suas células estiverem nutridas. Existe uma falsa sensação de saciedade dada pelo estômago repleto com alimentos. O tal “peso” no estômago é somente uma sensação ilusória e imediata. Após curto período de tempo, pode novamente haver sensação de fome ou mesmo o desejo por algum alimento específico. Parece que o corpo avisa que quer algo mais.
variedade alimentar também é fundamental. Evite a monotonia. Consuma menos açúcar, sobretudo o refinado. Utilize, de preferência, alimentos integrais. Procure não misturar frutas com nenhum outro alimento, pois sua digestão é, em grande parte, solitária
Vou dar um exemplo: às vezes comemos um pacote de biscoitos que contém basicamente carboidrato refinado, gordura vegetal hidrogenada, corantes diversos, sal e/ou açúcar e, na maioria dos casos, um realçador de sabor, que muito comumente é o glutamato monossódico (também presente em tabletes e pós culinários). Comemos (não raro o pacote inteiro) e sentimo-nos saciados. Mas basta um curto período, por vezes menos de uma hora, para que sintamos desejo de comer novamente. Embora ainda tenhamos a sensação de estômago repleto, nosso cérebro avisa: não foi o suficiente, ainda tenho fome, preciso de mais nutrientes.
Isso acontece porque o alimento não atingiu o alvo. A célula não foi nutrida ou foi mal nutrida. Existem muitas causas para isso: desde mastigação inadequada, passando pela escassez de sucos digestivos, sobretudo pancreáticos e estomacais, intolerâncias alimentares, excesso de consumo de um tipo de alimento (os carboidratos refinados são os campeões deste caso), a mistura de alimentos que têm tempos de digestão diferentes, o efeito de medicações que prejudicam a digestão (sobretudo antiácidos), alimentos com pouco valor nutritivo etc.
Cada pessoa terá uma ou mais causas, que são peculiares, mas o fato é que a má digestão e o metabolismo insuficiente do que comemos prejudica a real utilização das vitaminas, minerais, oligoelementos, gorduras, proteínas e açúcares que ingerimos.
Sem essa variedade diária suficiente atingindo a célula, o corpo funciona de maneira que vamos chamar de sub-ótima, permitindo a vida, mas que nos faz conviver com disfunções diversas que, por estarem presentes frequentemente desde muito cedo, achamos normais. São elas: prisão de ventre ou intestino muito solto, queda de cabelos, unhas fracas quebradiças ou frisadas, insônia ou excesso de sono durante o dia, alergias recorrentes, cólicas em demasia no período menstrual, memória fraca, falta de ânimo para realizar as atividades, geralmente com ansiedade e/ou depressão, desejo por alimentos, sobretudo massas, doces e chocolates, má digestão, sensação de empanzinamento, excesso de gases e muitos outros.
É claro que cada pessoa terá abordagem diferenciada, mas algumas dicas são gerais e muitas vezes bem conhecidas. Procure utilizar pequenas porções de alimentos de forma mais freqüente ao longo do dia. Levante da mesa ainda com certo apetite. Inclua em seu cardápio mais alimentos de fácil digestão (legumes, verduras e frutas), faça isso sobretudo no período da manhã e à noite. A variedade alimentar também é fundamental. Evite a monotonia. Consuma menos açúcar, sobretudo o refinado. Utilize, de preferência, alimentos integrais. Procure não misturar frutas com nenhum outro alimento, pois sua digestão é, em grande parte, solitária. Mastigue bem a refeição. Evite comer muito tarde da noite.
Se precisar procure ajuda, pois ainda há mais recursos para aliviar as queixas que descrevi, permitindo que você se sinta bem melhor. Sei que o assunto é bem extenso e há muito mais sobre ele para debatermos no futuro. Fiquem bem e até a próxima!